terça-feira, 6 de novembro de 2007

Página em Branco

Afogado na necessidade pelo metalingüismo,
escrevo esse poema.
Escrevo sobre a falta
de ter sobre o que escrever.

Escrevo sobre o vazio infito
da página em branco.
Definitivamente não escrevo
sobre as palavras que a completam.
Escrevo sobre a folha,
e somente a folha.

Escrevo sobre a complexidade
com que as linhas são dispostas
sem serem escritas.
Sobre a facilidade com que as palavras
Preenchem o branco sem preenchê-lo.

Sim, escrevo sobre a falta do que escrever
E como isso pode ser completo.
Como a falta do que escrever, pode completar o poeta,
Fazendo-o uma pessoa melhor.
Pelo simples, e singelo fato,
Da procura,
Da angústia,
Atrás daquilo que preencherá
a próxima página.

10 comentários:

Tatiana C. Mendes disse...

Poema interessante... Escrever sobre a falta do que escrever é um tanto quanto ambiguo, visto que o ato da escrita sempre terá forma, e mais... o vazio jamais será vazio, visto que nada é nada - é todo.

Palavras são travessas, malvadas, ou seriam envergonhadas? Bem, não sei... Só sei que às vezes somem, deixando a falta, o vazio, que na realidade é a presença mais completa... E eis que surge o poema de um poeta (?)!

Um abraço!
Tatiana

Cris Penha disse...

Tem um tempinho q não passava por aki e encontro essa brincadeira de palavras tão bem colocadas!!


Um grande abraço!

MaxReinert disse...

...pois é... as vezes a falta é o tema!!!

Guerras Secretas disse...

Já tentei escrever sobre a falta do que escrever, mas não chegou nem perto do seu poema, ficou muito bom. Eu como poeta frustrado me considero crítico, assim como comentaristas esportivos são atletas que não deram certo, e críticos de cinema são atores ruins...

Fênix Dualista disse...

escrever sobre escrever na angustia de procurar o que dizer.
muito bom.

abraço

Johnny M. disse...

a melhor forma de escrever sobre a falta do que escrever é não escrevendo, deixando a página em branco.

Johnny M. disse...

A melhor maneira de escrever sobre a falta do que escrever é não escrevendo nada, deixando um ponto de interrogação em branco se muito, como o quadro "branco sobre o branco" do Kandinsky. Mas gostei da tua poesia, vc usa bem as palavras.

Luiz Paulo disse...

gostei do texto, parabens, às vezes naum tenho o que escrever, e fico na agonia... rs


www.vicsa.blogspot.com

Marcelo disse...

belo poema

Gustavo_RaimuRa disse...

pífeo texto
=D

passar bem